Author: vinicius.b.gennari

  • A armadilha dos descontos

    A armadilha dos descontos

    Acho que todos já passamos pela situação: você está passeando pelo shopping ou alguma rua de comércio, quando vê que uma loja está em promoção. Resolve dar uma olhada na vitrine, e bem, tem algumas coisas até interessantes. Entra na loja, o vendedor te atende daquele jeito meio simpático meio desesperado que a maior parte deles parece ter. Você prova algumas roupas e… Tem alguma coisa um pouco errada.

    Talvez não tenham te servido tão bem quanto pensou, algo além do quê um ajuste arrumaria, ou as cores não ficaram legais em você, ou nesse meio tempo sua consciência acordou e começou a te dizer “cara, você não precisa de mais uma camisa xadrez, nem usa as que já tem”. Seja o quê for, você percebeu que é melhor não comprar.

    Mas aí…

    O vendedor te lembra que a loja inteira está em promoção, e justamente a peça que você escolheu está mais barata que todo o resto! E se levar mais essa e essa outra, ele te dá um desconto…

    No fim você deixa um dinheiro na loja e sai com umas roupas que não tem certeza se vai usar (não vai não). No dia seguinte já acorda arrependido, ou talvez o arrependimento bata uma semana depois (pra alguns precisa chegar a fatura do cartão pra finalmente cair a ficha).

    Você caiu na armadilha do desconto.

    Não me leve a mal, descontos são uma coisa boa de se aproveitar, mas eles são muito perigosos pra sua conta bancária e sua paz de espírito. Não só você muitas vezes gasta dinheiro a toa, o pior é que agora arranjou mais roupa pra entulhar seu armário e ficar no seu caminho durante possivelmente anos.

    Mas como resolver isto?

    Existem duas práticas que aprendi. A primeira, e mais simples, é se perguntar: “Se esta roupa estivesse no preço normal, eu compraria?”. Se a resposta for ou “não” ou “sim”, não compre. Precisa ser um “sem dúvida!”.

    A outra prática é a seguinte: seja educado com o vendedor, mas diga que precisa pensar. Ele vai insistir, e provavelmente fazer uma oferta melhor ainda, mas você resiste a tentação e recusa novamente. Depois, espere uma semana. Se ainda estiver muito com vontade de comprar aquela roupa, se pensou em situações pra usar e combinações com o resto do guarda-roupa, é um bom sinal.

    É claro, se notar que mesmo com essas práticas está fazendo compras das quais se arrepende, a solução pode ser criar uma regra pessoal de jamais comprar em promoções.

  • Valor é relativo

    Valor é relativo

    Existe uma ilusão criada pela indústria da moda, que é a seguinte: roupas caras são melhores.

    Acho que todos temos uma noção de que isto não é inteiramente verdade, mas o quão falso pode ser é algo bem impressionante ainda. Por exemplo, vá ver o preço do costume de alguma marca bem grande de alfaiataria. Pode ser nacional ou importada, mas confira as mais caras que encontrar.

    Sabia que você consegue exatamente o mesmo tecido deles ali no centro de São Paulo? E se mandar fazer num alfaiate, vai pagar bem mais barato por algo que vai te servir melhor? Isso sem falar na possibilidade de customização…

    Então, é importante manter em mente na hora de comprar roupas, que você não precisa pagar extremamente caro por qualidade. Também não estou dizendo que vai achar coisas boas — isto é, confortáveis, duráveis e com bom design — por preço de banana. Roupas baratas são descartáveis, a não ser que seja algo que achou num brechó ou numa queima de estoque muito favorável.

    Mas também é bom se desassociar desta mentalidade de que, se quer algo bom, tem que comprar de uma marca cara. E pra isso, você tem que aprender sobre o assunto: para saber reconhecer qualidade e o quanto vale.

  • Minimalismo no guarda-roupa

    Minimalismo no guarda-roupa

    Quando você associa a palavra minimalismo à imagem, alguns ficam com o pé atrás. Isso é por conta de certas associações que a palavra gera.

    Há quem pensam que isto se refere a questões de design, pensam em roupas minimalistas, e acham que tem que ser tudo preto e branco (ou só preto mesmo), com linhas retas e sem detalhes, o quê pra muitos é tedioso. Outros imaginam algo como ter apenas 1 calça, 2 camisas (pra alternar, né?) e 1 par de sapatos.

    Um guarda-roupa minimalista pode, de fato, se encaixar em ambas estas ideias. Mas na maior parte das vezes, não é algo tão extremo.

    Quando falo de minimalismo, estou falando de ter o essencial. Não ter roupas que não usa, e usar bem tudo o quê tem, curar as peças pra não ter mais do quê precisa. O quê você faz é considerar o quê tem realmente utilidade, e se desapegar do quê não, mesmo que este segundo grupo tenha sido útil um dia. E sempre que for comprar mais, pensar um pouco mais antes.

    Eu gosto da maneira que os Minimalistas consideram, sempre perguntando “Isso trás valor pra sua vida?”.

  • Não existe fora de moda

    Não existe fora de moda

    Muitos homens às vezes se preocupam em usar alguma coisa ou outra por medo de ser “ultrapassado” ou “fora de moda”. É um medo comum justamente entre os homens que já admitiram que sua imagem é importante, mas que ainda não a dominam completamente.

    Isso nos leva a algo que aprendi na faculdade. Na época, participei de uma pesquisa de iniciação científica com uma professora que admiro muito. Em uma das conversas que tivemos, ela disse o seguinte: “Não existe mais fora de moda”.

    Pensei sobre o assunto mais tarde, e a explicação dela — mesmo que você use algo antigo, hoje em dia está “retrô” ou “vintage” — e concordei com a afirmação. A ascensão de brechós por toda parte é uma clara evidência disto.

    Hoje em dia, somos livres para vestir quase qualquer coisa, ao menos fora do expediente (e pra alguns até durante). Nesta liberdade, muitos olham pro passado e encontram um estilo que os atrai mais, seja de alguma subcultura, ou seja apenas a modelagem, peças, combinações e detalhes de uma época.

    Aliado ao fato de que ninguém mais serve de polícia da moda; nem mesmo os profissionais da área; podemos dizer que a tão falada “ditadura da moda” não existe mais. Pense, quando foi a última vez que viu alguém apontando que o quê outra pessoa vestia era da última estação?

    Portanto, uma sugestão: se gostou de algo, não se pergunte se está na moda ou não. Tem perguntas muito mais interessantes pra se fazer.

  • Ceticismo nas compras

    Ceticismo nas compras

    Outro dia postei sobre lenços de bolsos, e como uma das coisas que jamais se deve fazer é combinar o tecido destes com o da sua gravata. Isso me lembrou de um assunto interessante e importante de explorar: como questões econômicas e mercadológicas influenciam, e muitas vezes moldam, os hábitos de vestir da população.

    A prática de vender gravatas acompanhadas de lenços de bolso, para o fabricante, faz bastante sentido: ele já está cortando a gravata neste tecido mesmo, o custo de fabricar o lenço de bolso é mínimo, mas ele pode vender por um preço mais alto ao cliente por ser um “conjunto”. Depois de décadas disso, hoje em dia a grande maioria dos homens acha que é o normal e adequado.

    Este fenômeno é bem antigo. Mas sem ir até leis suntuárias, podemos ver como o uso de casacos de abotoamento duplo diminuiu durante a 2ª Guerra Mundial, por conta da necessidade de economizar tecido. Ou na Grande Guerra anterior, como a combinação destes mesmos casacos com coletes deixou de existir (fato que perdura até hoje).

    Temos também a ideia de trajes de black tie com lapelas de entalhe (aquela mais comum). Isso é um faux pas, mas pros fabricantes de costumes, é mais barato fazer tudo com uma lapela igual, então em determinado momento eles começaram a ofertar isso e montar editoriais para convencer os consumidores a comprar.

    Mais um exemplo foram sapatos de bicos quadrados. Para os fabricantes, é algo fácil e simples de produzir, em comparação com uma forma mais orgânica. Depois de um tempo, ficou difícil de achar qualquer coisa diferente, e estes se tornaram o padrão (felizmente, de uma década pra cá, marcas como a Louie surgiram).

    E mais recentemente, as lapelas finas. Grande parte dos casacos de alfaiataria vendidos atualmente possuem lapelas desproporcionalmente finas. Isso, teoricamente, “está na Moda”. Mas a realidade é que estas lapelas não ficam bem quase ninguém, exceto homens muito pequenos e magros, onde elas parecerão proporcionais ao torso.

    Minha sugestão então, é a seguinte: seja bem cético quanto à opinião de vendedores e profissionais da Moda. Não estou dizendo que todos eles querem te passar a perna, mas os interesses destes podem não se alinhar com os seus grande parte das vezes.