Author: vinicius.b.gennari

  • Lenços de bolso

    Lenços de bolso

    Se um dia você olhar fotos dos anos 50 pra trás, vai provavelmente notar uma coisa: quase todos os homens usavam um lenço no bolso do peito do casaco. Era um hábito tão comum que o nome deste bolso acabou se tornando “bolso de lenço”. O hábito descende do costume de carregar um lenço pra fins práticos, como assoar o nariz ou limpar o suor da testa.

    Mas infelizmente, o lenço de bolso foi sendo deixado de lado pela maior parte da população, lá pelos anos 70. E isso é especialmente triste, pois seu uso é uma das formas mais simples que qualquer homem possui para melhorar sua imagem. Como eu disse anteriormente ao falar de meias: as outras pessoas notam estes detalhes.

    Quando você coloca um lenço no bolso, você instantaneamente projeta mais autoridade com a sua imagem. Você sabe o quê está fazendo, e você decidiu conscientemente sua imagem. Nas palavras do diretor Guy Ritchie: “Assim que você coloca um lenço de bolso, você possui a jaqueta: é sua ideia (usá-la), não a ideia de outra pessoa.”

    Sendo assim, deixo aqui a sugestão: sempre que usar um casaco de alfaiataria, coloque um lenço no bolso dele. Não precisa ficar se preocupando muito com dobras elaboradas, na maior parte das vezes, o lenço fica mais bonito se for colocado casualmente, como na foto. Se puder usar um de linho ou seda, ótimo. Mas se só o orçamento por enquanto só permitir algodão, ou mesmo poliéster, é um começo já.

    Só lembre-se de jamais usar um lenço do mesmo tecido que sua gravata (ou qualquer outra peça, obviamente).

  • Comunicação eficaz

    Comunicação eficaz

    Está vendo este sobretudo aí na foto? Isto é um paletó. Do francês “paletot“. Provavelmente não é assim que você conhecia, né? Até onde sabia, paletó era a parte de cima do costume. Mas na verdade aquela é uma jaqueta.

    E sabe aqueles agasalhos de tricô que vestem por cima da camisa? Aqueles não são blusas. Blusas são a versão feminina da nossa camisa. Aqueles são simplesmente sweaters, ou se preferir generalizar, malhas. Mas você já deve ter ouvido o termo blusa sendo usado pra se referir a estas e outras peças, correto?

    Agora pense na gravata que acompanha o traje de black tie. Você provavelmente chama aquilo de gravata borboleta, mas na verdade ela pode ser uma das outras gravatas laço. E o traje de black tie não é um smoking, é um tuxedo.

    Por quê eu estou falando esse monte de coisas? Pra ilustrar um ponto sobre comunicação.

    Eu sou bem chato quanto à terminologia e procuro sempre chamar as peças do nosso guarda-roupa pelo nome correto. Mas, por mais que eu saiba que o correto é gravata laço, ou que a maior parte do quê chamam de blazer aqui no Brasil são só jaquetas esportivas, tem um ponto em que eu tenho que falar em termos que os outros compreendem.

    E o mesmo se aplica às nossas roupas. Como sempre digo, se vestir é uma forma de comunicação, e comunicação só acontece direito quanto alguém fala e outro entende.

    Então, por mais pedantes que possamos ser, temos que dar o braço a torcer e fazer algumas concessões, tanto nas nossas palavras quanto nas nossa imagem. Falamos para ser entendidos. Temos então que falar nos termos da sociedade.

    Afinal, a alternativa é ficar falando sozinho.

  • Pra quem você se veste?

    Pra quem você se veste?

    Já parou pra se perguntar isso?

    Enquanto um ou outro vai dizer que se veste só pra si e pelo conforto (já comentei sobre esta ilusão aqui, porém), se você lê este blog, provavelmente sabe que as outras pessoas influenciam sua imagem. Mas um ponto chave que abordo hoje é: quem tem mais influência sobre você?

    São seus colegas de trabalho, ou superiores? É o pessoal do bar que frequenta e seus amigos? A galera com quem faz música, ou o povo da academia? Potenciais parceiras(os) românticas(os)?

    O quê notei na maneira que homens se vestem, é que tem um ou dois grupos que pesam mais. É de onde você mais extrai sua identidade, o círculo social cujas pessoas tem a opinião que julga mais importante.

    Por exemplo: um advogado no começo da carreira provavelmente se importa menos com a opinião do seu barbeiro do quê com a do dono do escritório onde faz estágio. Sua profissão está mais intimamente ligada à sua identidade do quê onde ele corta o cabelo.

    Em contrapartida, um músico pode trabalhar num escritório de dia (contas a pagar), mas ele se veste no limite do necessário pra não ter problemas com o chefe. As opiniões que vão influenciá-lo não são as dos colegas de trabalho, mas as de quem compartilha o gosto musical dele, de quem ele respeita e admira.

    Saber o quê realmente te importa é um passo importante para você ter uma imagem mais intencional e que te ajuda a atingir seus objetivos.

  • Cometendo erros

    Cometendo erros

    Eu falo de vez em quando sobre minimizar seus erros na jornada de aprender sobre como se vestir e definir melhor sua imagem. Falo como são inevitáveis de vez em quando também, mas fico um pouco preocupado que muitos homens podem ficar paralisados pelo medo de errar. Então resolvi escrever este post para deixar bem claro:

    Você vai errar. Muito. Constantemente.

    Bem vindo ao clube.

    Isso não é desculpa pra não procurar acertar, pra simplesmente fazer de qualquer jeito, mas é só pra lembrar que todo mundo que é bom em qualquer coisa, é porque em algum momento foi péssimo, mas continuou em frente.

    Você pode passar anos lendo sobre como se vestir, seguindo ícones de estilo no Instagram, comprando livros de referência, e até discutindo sobre o assunto na internet. A verdade é que você só vai aprender de verdade colocando em prática. Isso é verdadeiro para tudo na vida.

    Você vai comprar e depois de um tempo se arrepender. Mandar fazer roupas no alfaiate e depois não gostar do resultado, seja porque inventou demais, ou porque o não soube se comunicar. Vai mudar seu estilo e ficar com certa vergonha de algumas fotos antigas, etc.

    Mas qual é a alternativa? Continuar do jeito que está? Melhor começar a errar logo então.

  • Moda ≠ Indumentária ≠ Estilo

    Moda ≠ Indumentária ≠ Estilo

    Uma das primeiras coisas que aprendemos na faculdade de Moda, é que Moda e Indumentária não são sinônimos. Isso pode parecer óbvio para alguns, ou revelador para outros, mas de uma maneira ou de outra, é uma distinção importante de se fazer.

    Moda é, por definição, aquilo que é efêmero. Se aplica agora (ou se aplicou então), e depois deixa de ser aplicável (teoricamente). É algo que vai além de roupas, incluindo tudo numa cultura: música, arte, tecnologia, moras sociais, e muito mais. Mas roupas são sua expressão máxima, pois humanos tem o instinto de se adornar.

    Indumentária é bem mais simples de compreender: são roupas e acessórios. É como humanos cobrem e enfeitam seus corpos. Isto é feito desde a pré-história: precisávamos nos cobrir pra não morrer de frio, queríamos mostrar nosso valor com dentes de predadores que caçamos, etc.

    E Estilo, onde entra aí? Este conceito é um pouco menos claro e há menos consenso quanto ao seu significado, mas grosseiramente, podemos dizer que Estilo é o modo que o indivíduo se veste (e se porta também). Enquanto Moda é algo geral, e Indumentária se refere às roupas em si, Estilo é mais como você se apropria das roupas e define sua imagem, diz mais sobre seu gosto e personalidade.

    “E no quê isso me interessa?”, você pode estar se perguntando. É importante compreender esta distinção, especialmente nos dias atuais, para construir sua imagem. Sabendo que Estilo é algo individual e que não precisa seguir o quê está na Moda, você se liberta para escolher apenas o quê funciona para você. Você pode pegar tendências da Moda, mas sempre guiado pelo seu Estilo.

    E no fim, é isto que as pessoas lembram: de quem tem Estilo, não de quem está na Moda.